O que aprendemos numa sessão de cinema? Educação inclusiva é pleonasmo

Nova Escola fez uma roda de conversa com professores que trabalham com inclusão e aprendeu muito sobre os desafios da sala de aula

Larissa Darc (novaescola@fvc.org.br)

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Rodrigo Mendes,do Instituto Rodrigo Mendes,Lara Pazzobon e Gustavo Acioli, do Festival Assim Vivemos, e Leandro Beguoci, da Associação Nova Escola, conversam com educadores sobre inclusão escolar

Uma escola para todos é o sonho de todos. O que essa afirmação implica? No dia 15 de junho, professores, coordenadores e profissionais ligados à Educação se reuniram no Centro Ruth Cardoso, em São Paulo, para um bate-papo sobre inclusão. Realizado pela Associação Nova Escola e pelo festival “Assim Vivemos”, em parceria com o Instituto Rodrigo Mendes, o Centro Ruth Cardoso, a Fundação Lemann e a Fundação Telefônica, o evento teve início com a exibição do filmeIncluindo Samuel (o diretor é Dan Habib e o filme tem 58 minutos de duração).

A obra conta a história do menino Samuel, filho do diretor do documentário e diagnosticado com paralisia cerebral. A cada pergunta do pai sobre o garoto, somos levados a outras histórias. Elas nos mostram possíveis caminhos para construir um ambiente escolar e social em que todos se sintam incluídos. Vimos um rapaz que queria aprender Matemática quando os professores o mandavam colorir, uma professora que chorou diversas vezes por não saber como lidar com uma aluna autista, uma moça esquizofrênica que não encontrou o acolhimento que desejava em escolas regulares.

Pois é, incluir dá trabalho. Mas, de acordo com Lara Pozzobon, responsável pelo festival Assim Vivemos, dedicado a produções audiovisuais sobre o assunto, filmes como Incluindo Samuel sensibilizam os expectadores e rompem as barreiras que eles têm com o assunto. Estes são os primeiros passos rumo a uma sociedade inclusiva: entender para melhorar.

Os casos mostrados na tela serviram de base para o bate-papo mediado por Leandro Beguoci, diretor editorial e de produtos da Nova Escola, e Rodrigo Mendes, fundador do Instituto Rodrigo Mendes. “Nós achamos a inclusão muito importante, mas não sabemos como fazer”, afirma Leandro, ao ressaltar a importância do debate para a difusão de conhecimentos.

Rodrigo Mendes explicou como uma educação inclusiva é boa para todos os alunos, e não apenas para os que precisam ser incluídos. “Um professor comprometido com o aprendizado de todos os alunos, que sabe que as pessoas aprendem em ritmos diferentes, de formas diferentes, é sempre um excelente professor”, disse ele. “Nós não somos preparados para todas as situações que vamos enfrentar na vida, mas podemos aprender a lidar com elas. Quem ensina também está sempre aprendendo”, afirmou.

Douglas de Mello, mestrando em Ensino de Educação Básica na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), concordou. “As pessoas são diferentes e precisam de abordagens diferentes. Quando você faz a inclusão mal feita, queima o filme desse tipo de iniciativa”, disse.

Isso levou a uma afirmação bem interessante de Raquel Ribeiro, professora certificada como educadora inovadora pelo Google, no programa Brasil Google for Education. Após contar sobre a sua experiência em Educação adaptada, Raquel frisou: “Nós temos a experiência. Agora precisamos compartilhá-la”. Essa frase virou um dos consensos do debate. Quem trabalha com inclusão precisa compartilhar suas histórias e aprendizados. Aprendendo com quem já fez, todos nós avançamos mais rápido. E, ao aprender, acabamos com alguns tabus sobre inclusão.

Os professores que participaram do bate-papo também aproveitaram o momento para compartilhar angústias e até mesmo Lara, do festival Assim Vivemos, e seu marido e colega, Gustavo Acioli, contaram as preocupações que possuem como pais de uma criança com síndrome de Down. “Sinto que há muitas pessoas lidando com ele, mas que não se conversam. Neste ano, conseguimos reunir os terapeutas para uma conversa pela primeira vez”, conta Gustavo, sobre a relação do filho de 6 anos com o ambiente escolar e os profissionais que o acompanham.

No final do encontro, Rodrigo Mendes deixou claro que a construção de um modelo de ensino não deve ser pensada de maneira banal. A escola deve olhar para as diferenças de forma desafiadora, abrindo mão de colocar todos os alunos dentro de uma mesma caixinha.

Aliás, se você se interessa pelo assunto, queremos compartilhar uma boa notícia: teremos mais encontros sobre esse tema nos próximos meses. Se tiver sugestões, se quiser organizar um na sua cidade, na sua escola, nos avise. Assim como os nossos parceiros nesse evento, queremos transformar Educação inclusiva em pleonasmo. Toda educação é inclusiva, por definição.